Notas sobre Amatenari

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Notas sobre Amatenari

Mensagem por Chinchilator em Dom Jun 18, 2017 6:48 pm

A história antes da História

Há pouco mais de dois mil anos atrás, a ilha de Amatenari era dividida em extensões de terra governadas por líderes militares, denominados shoguns. Os shoguns eram líderes de clãs de grande influência em determinada região e constantemente combatiam entre si por interesses e terras. Na época, o conflito permanente e a militarização da ilha afastaram o interesse de poderes externos em realizar uma invasão generalizada. Porém, a instabilidade era a única certeza na vida desta sociedade feudal. Os poderosos de um dia podiam ser suplantados na manhã seguinte, fronteiras eram redesenhadas ano após ano, vilarejos eram dizimados e reconstruídos ao sabor das guerras.

O único período de exceção a este estado de coisas foi forçosamente apagado da memória coletiva. Ocorreu quando uma demônio, Tussuru, se estabeleceu em uma região do que é hoje a província de Nankou, próxima à floresta de Koukai. Tussuru era uma criatura única. Podia absorver outros seres como parte de sua existência maior, se tornando mais poderosa e inteligente. Seu culto se tornou uma ameaça tão massiva que muitos clãs se uniram para destruí-lo e apagar qualquer sinal que tal evento tenha se passado.

Apesar de esquecido, o expurgo de Tussuru alterou o equilíbrio de poderes em Amatenari. Mais do que isso, pela primeira vez viu-se uma ameaça generalizada que exigisse cooperação entre clãs rivais. Pode-se supor que daí brotaram as primeiras ideias de unificação. Mas o tempo ainda não era certo.

Poucos séculos depois, vieram as invasões emeelitas. Shaohao, o vizinho do norte, já tinha a maior parte de seu território tomado. Agora o inimigo batia à porta dos amateranos, na foz do rio Beppu. O imperador de Shaohao buscou o shogun Ishida, que detinha terras no oeste de Amatenari, ao redor da montanha Tate. Ishida era parente do imperador, tendo desposado uma de suas filhas, e agora o convocava em nome da relação próxima entre as duas famílias a prestar apoio militar na retomada de Shaohao. Ishida concedeu, mas com a condição que Shaohao, uma vez reconquistada, daria apoio incondicional a um plano que começava a se desenhar: unir Amatenari sob um imperador.

O que se sucedeu nas décadas seguintes é mais um dos mistérios da história do país.

O mito de criação

A história oficial reza que Kamino, o favorito dos deuses, era um guerreiro de grande valor que havia se destacado quando pela segunda vez os emeelitas aportaram na costa amaterana, com intenções de formar uma colônia. Kamino, abençoado com força e sabedoria sobre-humanas, retornava vitorioso de uma batalha definitiva quando decidiu converter-se em um andarilho. Por onde passava, ele pacificava conflitos e ensinava as pessoas a viverem sob a égide da ordem e harmonia. Amatenari se tornou bela e próspera.

Aconteceu, no entanto, que justo quando sua obra estava completa, Kamino foi corrompido. Dizem alguns que ele foi possuído por um demônio. Outros dizem que quando terminou sua tarefa divina, os deuses tentaram retirar suas bênçãos extraordinárias e ele se rebelou. Uma terceira versão, menos popular, diz que Kamino nunca foi humano de fato. Fosse como fosse, o pacificador tornara-se o pior dos inimigos.

Eis que, para combatê-lo, o clã Ishida uniu-se a mais seis grandes famílias e, com o apoio das respeitadas mikos de Yoakenouta, enfrentou o guerreiro caído. No campo onde foi derrotado, o espírito de Kamino foi selado para todo o sempre. Sobre o selo foi construído o Palácio Imperial, onde desde então os Ishida governam o país unificado em seu momento de desespero.

O selo

Seja a lenda de Kamino verdade ou não, o selo sob o Palácio Imperial é uma presença muito real para seus cuidadores. Ele permanece nas câmaras do subsolo, uma estrutura mágica aprimorada no decorrer dos séculos para conter uma energia poderosa e desconhecida. É o dever das mikos de Yoakenouta manterem-no seguro a todo custo.

O selo é alimentado primariamente pela energia vital de uma miko (também referida como “selo”), que é preparada para passar o resto de seus dias em reclusão. A estabilidade do selo está ligada diretamente à vontade de viver daquela que o alimenta, portanto, é normal que esta tenha alguma ocupação para passar seus longos dias. Apenas com a morte de um “selo”, outra poderá tomar seu lugar. Além dela, há um número de mikos engajadas em protegê-la, cuidar de suas necessidades e verificar o perfeito funcionamento do selo.

Uma figura que surgiu nos anos posteriores à criação do selo foi o “recipiente”. Notou-se que apenas com uma miko alimentando o selo, esta tinha poucos anos para viver antes que suas forças se esvaíssem. Por isso, parte da energia de Kamino (ou o que quer que fosse) foi transferida para um outro indivíduo da família Sekkyoku, denominado “recipiente”. O recipiente, apesar de sua ligação ao selo, possui mobilidade impossível à miko, ainda que por dever costumem viver e trabalhar no palácio.

 Harashi Sekkyoku foi o único recipiente que descobriu uma forma de se aproveitar da ligação com o selo para ameaçar a estabilidade do mesmo e a vida da miko Junichi.

Os filhos do sol


Os Ishida são a primeira e única dinastia do Império de Amatenari desde sua fundação. Reivindicaram direito divino de governar por supostamente serem descendentes da kami do sol, Amaterasu-oumikami. Amatenari tornou-se mais e mais um país onde o poder é centralizado na figura do imperador. Não há dúvidas que se a linhagem dos Ishida se extinguisse, ocorreria uma guerra civil pelo trono. Com nenhuma família retendo dominância sobre as outras, o resultado provável seria uma fragmentação do território.

Por outro lado, o risco de competição entre membros da família Ishida fez com que se estabelecesse a tradição do filho único. Ou seja, o imperador deve ter senão um único herdeiro, de preferência, um único filho biológico. Se outro descendente for produzido, este não poderá ter filhos, e viverá restrito a desempenhar funções sacerdotais em um templo de propriedade da família. Excetuando-se este caso, todos os Ishida devem ser passados, presentes ou futuros imperadores ou imperatrizes. Desta forma, qualquer estranho que clame ser parte da linhagem imperial será muito antes assassinado como um bastardo indesejado do que aclamado como potencial herdeiro.

Por vezes, para realizar o desejo de ter uma família maior, os Ishida adotam crianças como suas. Estes recebem o sobrenome da família e a maior parte dos privilégios que ele carrega, mas nunca poderão ser herdeiros, tampouco se tiverem filhos podem passar o nome Ishida à frente. De igual maneira, consortes imperiais retêm seu próprio sobre nome.  

Todas estas limitações ocasionaram problemas. O maior risco é que se o Imperador não tiver logo netos, bisnetos e tataranetos, a linhagem está sempre por um fio. Outro é a dificuldade para retribuir certas honrarias diplomáticas, mais especificamente com Shaohao. Não poucos consortes imperiais vinham da família imperial de Shaohao. No entanto, nenhum consorte imperial de Shaohao poderia vir de um membro com sangue da família Ishida, somente de famílias nobres ou membros adotivos, o que ofende a sensibilidade dos shaohis.

As famílias fundadoras

Seis clãs foram elevados por sua relação com os Ishida na fundação do Império. Estas são conhecidas como as famílias fundadoras. Estas famílias não são as únicas da alta nobreza de Amatenari, mas são destacadas por sua importância histórica e estão ligadas a partes específicas da estrutura administrativa e estratégica do governo. Seus membros costumam tomar cargos de grande importância.

Três famílias fundadoras detêm o governo de três províncias, enquanto as outras três se estabeleceram na capital. As seis famílias fundadoras são:

- Abe, especialistas em tecnomagia e detentores dos segredos da tecnologia de catalisadores.
O líder da família Abe é Ash Abe. Seu herdeiro é seu irmão mais novo, Koji.

- Takeda, detentores dos Pergaminhos Roku. Os Takeda recolheram no decorrer dos anos um conhecimento extenso sobre a biologia e geografia de Amatenari e de outros países, que registraram nos Roku. A família era conhecida por permitir que seus membros apenas se casassem com outros Takeda. Casos excessivos de incesto levaram ao fim da família pelo desenvolvimento de doenças genéticas.
O líder e último membro puro da família Takeda é Tikara Takeda. Sua herdeira é Nonori Takeda, sua filha com Jeseri Shiroga, uma mulher de sangue comum.

- Sekkyoku, responsáveis pelo setor de inteligência e por proverem o Recipiente ao Selo de Kamino.
A líder da família Sekkyoku é Emiko Sekkyoku. Seu pai, Harashi Sekkyoku, foi o antigo recipiente, conhecido pela tentativa de golpe de Estado.

- Gozen, governantes da província de Yamabi. Os Gozen são conhecidos por sua aparência ofídica e uma doença familiar grave. Ambos os traços são causados por uma suposta maldição familiar que, segundo as lendas, veio de Yamata no Orochi.
O atual governador é Tomoe Gozen, seu herdeiro é Tarasi. Outros membros são Jito, segunda filha do governador, Yukari, esposa de Tarasi, e Ayame, mãe de Tomoe.

- Shinomori, governantes da província de Nankou.
O atual governador é Tegaru Shinomori. Ele foi criado por Maho, sua tia materna.

- Tsukuyo, governantes da província de Fuyukawa. Os Tsukuyo possuem acesso a uma fonte abençoada no interior das muralhas do Castelo de Onogoro, que diz-se permitir aqueles que se banham em suas águas ter visões do presente e futuro.
Os herdeiros Tsukuyo eram os quadrigêmeos Shingetsu, Mangetsu, Tsuki e Kagen. Atualmente, apenas Mangetsu, o governador exilado, e Tsuki, estão vivos.

Estrutura de governo

Amatenari é dividida em quatro províncias: Kiritochi, a província imperial, está sob controle direto dos Ishida. Fuyukawa, Yamabi e Nankou têm cada uma um governador.

O imperador é assessorado pelos cinco membros do Conselho Imperial. Os conselheiros podem ser de qualquer origem e são escolhidos diretamente pelo imperador por seu conhecimento e discernimento relevante a questões do país.

Além dos conselheiros, existem três chefes para as grandes áreas do governo, chamados por tradição de shoguns imperiais. São eles o shogun administrativo, jurídico e militar. Os governadores das províncias também contam cada um com três shoguns provinciais. São profissionais de carreira com extensa experiência em sua área, e possuem direito de indicar candidatos à sua sucessão.
O cargo utilizar o termo “shogun” deriva da organização original do Império. Quando fundado, três províncias foram dadas a três das famílias fundadoras. Os antigos shoguns, seus líderes, tomaram o título de “governador”, para designar que não eram soberanos destas regiões, mas sim submissos ao imperador Ishida.

Os líderes das famílias Abe, Takeda e Sekkyoku, por outro lado, foram os primeiros chefes da área jurídica, administrativa e militar. Eles retiveram seus títulos de shogun, mudando a conotação do termo de um líder de clã detentor de terras para um funcionário do governo imperial. Os shoguns há muito já não são necessariamente membros destas famílias.

Cidades de porte considerável estão sob os cuidados diretos de famílias nobres, por exemplo, os Shinano, no caso da cidade de Beppu. Pequenos vilarejos, contudo, podem não ter governantes oficiais ou sequer proteção direta da guarda. Nestes locais, costuma haver alguma família de maior prestígio que se encarrega de resolver pequenos conflitos e contatar autoridades no centro mais próximo quando necessário.
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